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A mostrar mensagens de Fevereiro, 2012

Cheira a primavera!

Não longe da cena do episódio da Rua Garrett, que mencionei no post anterior, subia eu a Rua das Flores, ouço e vejo ao longe uma garota de uns dez anos, mochila às costas, certamente a caminho de casa depois das aulas. Vinha descendo a dita rua, cantarolando exuberantemente, exprimindo, sem ambiguidades, uma enorme e notória alegria e felicidade. A vozita da miúda reverberava entre os prédios, ali mesmo à saída do parque de estacionamento do Largo Camões.
Não me recordo há quanto tempo me não emocionava tanto com um acto tão simples, genuíno e espontâneo como este.

Música: um investimento de futuro

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Rua Garrett, Lisboa. Foi quinta feira passada, seriam umas 17h. Um duo de violino e violoncelo fazia escalas para aquecer. Iam começar o concerto. O mendigo, sentado logo ali ao lado, fazia sinais para os transeuntes, apontava para a boca, parecia querer dizer que tinha fome. Os músicos, impecavelmente vestidos, começaram a tocar. O mendigo, andrajoso, implorava ajuda. A música parecia acompanhar os gestos suplicantes do mendigo. Uma inusitada e súbita pareceira, ou um duro exemplo de um estranho, mas real, reality show.  Ao passar, ouvi um desses transeuntes a dizer para a mulher “ao menos aqueles fazem alguma coisa de útil”. “La musica è tutta relativa,” como lembrava Sanguinetti... E Vangelis dizia numa entrevista à Al Jazeera que “aquilo que mais precisamos no nosso mundo hoje é de investir em beleza.” 
E eu aposto que, no fim da “temporada,” o mendigo vai abrir os olhos, juntar o dinheiro todo que ali obtém à custa do acompanhamento que arranjou para as suas súplicas e vai contratar…