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Sobre os sinos

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Uma edição da série Encontros com o Património dedicada aos sinos. Chama-se “Os sinos - outros sons, outros tons” e constitui uma espécie de relatório do estado da arte sobre tudo o que diz respeito aos sinos em Portugal. Ouça aqui , é imperdível. Este programa surge, curiosamente, mais ou menos no momento em que Paulo Varela Gomes escreve na sua habitual crónica do Público um Angelus (“Cartas do interior”, 2011/11/26) sobre sinos. Fala num “tempo dos mercadores”, construído “à medida que deixamos de ouvir o som antigo dos sinos, que só aos velhos faz hoje semicerrar os olhos, baixar a fronte e suspender por um instante o vazio do tempo.” “Não há coincidências,” dizia-me um dia uma amiga muito querida. Este texto não poderia ilustrar melhor o programa da TSF. Não pode ser coincidência... NB- A foto que ilustra o post foi retirada de uma reportagem da RTP sobre a Fundição de Braga, uma das mais antigas fábricas portuguesas de sinos.

Ser dobrado pelos sinos

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O tema do ruído não chega amiúde aos orgãos de comunicação. E quando chega é normalmente através de uma perspectiva desinteressante e mal informada. Os sinos das igrejas são um problema recorrente (1). Os sinos constituem aliás um tema que ultrapassa (2) a questão ambiental —e talvez por isso o transforme num problema recorrente— e envolve disputas de poder com contornos bem mais profundos. Enquanto o problema do ruído se resumir à questão dos “decibéis ” (quando é que raio as pessoas entendem que esta palavra não existe?! Vejam aqui e aqui ...) os prevaricadores estarão sempre defendidos. É o caso relatado neste artigo do Público que foi retomado numa interessante crónica chamada “Música Electrónica” do Miguel Esteves Cardoso no mesmo jornal. Enquanto o cónego Aparício “aguarda uma peritagem” e o presidente da Câmara de Beja “dá conhecimento à Igreja do mal-estar” que os sinos provocam, as vítimas vão dobrando com os nervos esfrangalhados.  (1) Aqui há tempos esc...

Por quem os sinos dobram

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Há mais de 20 anos trabalhei no departamento de ruído da então Secretaria de Estado do Ambiente (S.E.A.). Uma das áreas que mais preocupações nos dava era a das reclamações. Não se tratava de nenhuma brincadeira: o ruído era a causa principal de reclamação dentro da SEA. As consequências desta disfunção ambiental podem ser extremamente sérias. Desde problemas gravíssimos de saúde até casos de tentativa de homicídio (consumado, num caso ocorrido na Amadora), passando por desavenças entre vizinhos (por vezes até entre familiares!) que acabavam em tribunal, houve de tudo um pouco. Em dado momento começámos a receber um número crescente de reclamações relativas ao que foi classificado como "sinos electrónicos". O "sino electrónico" (descobri-o no terreno...) era um vulgaríssimo relógio de pêndulo, com um pequeno badalo, daqueles que se penduram na sala ou no corredor, que uns quantos espertalhões equipavam com um microfone barato, ligado a um amplificador, por su...