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A Cantata de Évora

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  U m telefone que toca. Passaram vinte anos. A surpresa do contacto. Do outro lado vem uma aliciante proposta: criar o envolvimento sonoro de um novo centro interpretativo, em Évora, instalado num espaço de características únicas, com muito material informativo para lá colocar. O “caderno de encargos” que me é transmitido, encerra um enorme e complexo desafio. O centro interpretativo precisa de som que lhe "acrescente" espaço e lhe alivie a pressão informativa, tornando-o mais ligeiro sem lhe comprometer. função. Som que substitua, na medida possível, parte dos habituais dispositivos usados para exibir este género de conteúdos, painéis, ecrãs. Mas som que funcione também como uma espécie "sala de espelhos" e, ao mesmo tempo, conferindo virtualmente mais dimensão ao espaço expositivo, ajudar a transmitir informação que, de outra forma, iria sobrecarregar   e saturar esse espaço. O telefonema foi de Cármen Almeida, coordenadora geral do projecto, que me transmite o c...

Aprender a ensinar

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Há muito poucas coisas que me dêem mais prazer na vida do que ensinar e aprender. E dá-me ainda mais prazer poder aprender a ensinar. O trabalho que estou a fazer no IPA , no curso de Design Sonoro , cobre este vaivém e tem sido uma oportunidade privilegiada de fazer uma coisa que me dá todo este prazer e de que gosto genuinamente. Sem reservas. Futuramente tentarei aqui falar mais deste tema de forma mais detalhada. Por agora queria prestar por esta via, uma singela homenagem à turma do 2º ano, distinguir o seu empenho e exortar os alunos nesta altura a não vacilarem, não esquecerem o sonho que os levou a escolher esta licenciatura, a trabalhar, duro, e a procurarem sempre manter a energia, a curiosidade e a disponibilidade que mostraram até agora. Aqui ficam algumas fotos da última aula, de autoria de Miguel Cordeiro. Nesta aula, em particular, trabalhámos na gravação das vozes do projecto final deste ano, uma peça de teatro radiofónico baseada no intrigante texto de Kurt Vonn...

Falar de nós

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A minha colaboração com o Teatro da Rainha soma, neste momento, 25 peças. Ao longo de todos estes trabalhos —na verdade, desde o primeiro de todos eles— o som tem sido uma dimensão desta nossa cooperação a merecer um cuidado e uma preocupação muito especiais. Do Falatório do Ruzante (a primeira para a qual concebi a música e aquilo que mais tarde começaríamos a designar por “cenário acústico”) até este Fernanda, quem falará em nós, os últimos? , o som é uma marca presente, que faz parte intrínseca do rigor e inovação que distinguem a actividade da companhia.   Posso dizer que, no decurso desta já longa colaboração, nos defrontámos com todo o género de desafios, no plano estilístico, formal e, bem entendido, funcional e operacional. O suficiente para termos desenvolvido uma ideia precisa, rica, concreta e muito bem fundamentada e algo rara, do papel do som no teatro, hoje, da sua pragmática e da sua economia.  Neste arco de quase 30 anos, o que fomos produzindo oscilou...