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Gary Burton e a fusão de partículas

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Faz hoje exactamente um ano, assisti a um fenómeno verdadeiramente invulgar e empolgante. De tal maneira invulgar e empolgante, com um impacto de tal forma poderoso, que, passado todo este tempo, ainda não me consegui recompor. A coisa aconteceu mesmo ao meu lado, estava eu a ouvir o Burton.  Tratou-se de uma colisão de partículas, um desses fenómenos da natureza que ocorre quando Deus decide e que os cientistas teimam em querer explicar, felizmente sem grande sucesso, diga-se de passagem.  É daqueles casos de que só nos apercebemos em circunstâncias muito especiais, como aquelas que tive o privilégio e a felicidade de viver, em primeira mão, ali mesmo, enquanto via e ouvia o Burton, a centímetros do acontecimento, deitando-lhe simultaneamente um olho, assim de soslaio, o que me permitia ir percebendo o que se estava passar. Num agitado estado de alerta total, conduzido sabe-se lá por que força, talvez uma percepção inexplicável de que algo de facto invulg...

Heaven, I’m in Heaven

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Cumpriu-se o desígnio: o New Quartet de Gary Burton veio mesmo ao Estoril e, mais uma vez, eu que não sou crítico, venho aqui deixar algumas simples notas de trabalho de campo... Acompanho a actividade musical de Gary Burton há mais de 40 anos. Tudo começou pelo fascínio inicial que me provocou a sua técnica e continua hoje com o fascínio absoluto que a sua música teima em me provocar. Cada disco e cada concerto de Burton constituem uma lição de musicalidade, técnica e de domínio da arte de ser um músico de jazz profissional. Este New Quartet é a montra mais recente de todas estas qualidades. Foi um privilégio podermos assistir a esta passagem pelo Estoril, no âmbito de uma longa tournée que o quarteto está a realizar e o Estoril Jazz está de parabéns por ter agarrado a oportunidade. A música deste quarteto não é especialmente inovadora. A inovação em Burton começou na técnica que desenvolveu —ainda muito jovem— para o seu instrumento, no formato dos seus grupos e no conce...

Leviandades

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Ainda há pouco tempo fiz aqui um elogio a um escrito de Miguel Esteves Cardoso, que me pareceu totalmente justo. Trata-se de um jornalista que gosta de arriscar (reconheço-lhe essa virtude), mas que é embrulhado, ele também, tantas  vezes, nesta vertigem de ter de preencher diariamente o seu pequeno canto de página. Ontem espalhou-se.  E por se tratar de uma injustiça cometida sobre uma figura que conheço bem e que é tratada de forma totalmente lamentável, não posso deixar de escrever aqui esta nota. O pretexto da crónica de ontem do Público foi o gosto musical dos candidatos à presidência do PSD. Lá foi de metáfora musical, em metáfora musical até chegar a Gary Burton, dizendo dele que se trata de um talento “mediano que poderia ter sido maior se arriscasse mais.” Saltou-me a tampa quando li isto! O Gary Burton não merece a colagem ao Aguiar Branco, simplesmente para levar uma duvidosa lógica musical até ao fim,  Gary Burton é um músico que acompanho há uns q...