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A mostrar mensagens com a etiqueta Ruído

Sassaricando

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Uma das cornetas, colocada aqui numa rua de foliões, com o hospital em fundo B enavente é a sede do concelho onde resido vai para 13 anos. É uma vila pacata, cheia de gente muito boa.  Periodicamente, Benavente sai do seu torpor e faz-se ouvir. Quem ler isto perguntará: faz-se ouvir? O quê, faz ouvir a sua voz? Faz sentir as suas reivindicações? Vocaliza com veemência a defesa dos valores das suas gentes? Pugna sonoramente pelos seus direitos?  Não! Planta umas cornetas acústicas, dessas do tipo que se usa nas feiras, pelas ruas da vila e faz soar umas coisas a que podemos atribuir, com enorme dose de boa vontade, uma vaga parecença com música. Com isto azucrina os ouvidos dos fregueses, sem que estes tenham direito ao contraditório, i.e., sem escapadela possível. Esperemos que, cumprida a sua missão, esse material seja, entretanto, retirado mais rapidamente que o foram as decorações de Natal... Passar nas ruas de Benavente durante os períodos das “festas” (ac...

Perdão de Natal

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O Primeiro Ministro actual não é personagem sobre o qual recaem as minhas particulares simpatias. Tenho-o aliás demonstrado com a frequência possível num outro blog para o qual escrevo. Mas, noblesse oblige , não posso deixar de assinalar a referência que fez ao ruído e o destaque que deu a esta questão durante a recente apresentação do Nissan Leaf. Em vez de esquecer esta característica ambientalmente positiva do novo veículo, ou de a deixar escondida no meio das outras (emissões de CO2 e consumo energético), Sócrates colocou o ruído em primeiro lugar (eu ouvi!) por duas vezes no seu discurso. Num período em que, ele próprio de maneira não despicienda, contribui para o enorme ‘ruído’ que por aí vai, chamar a atenção para um problema ambiental grave e mostrar uma solução real para o combater, constitui um acto que requer (neste caso, sim!) alguma coragem.

“Novo” aeroporto, velhos problemas

A Câmara de Benavente, seguindo movimentos públicos que também já há tempo se tinham manifestado sobre este assunto, ameaça impugnar a localização do novo aeroporto de Alcochete, justificando a inciativa, sobretudo, com os graves problemas de ruído que a prevista localização vai causar na zona da minha freguesia de Santo Estevão. Não posso estar mais ao lado da iniciativa da CMB. O potencial do problema do ruído do novo aeroporto é real. Depois de décadas de experiência com outros aeroportos, depois de centenas de estudos que revelaram as trágicas consequências que o desprezo por esta matéria originou, ficamos sem saber se as opções que agora se perfilam no horizonte são fruto do golpismo, da falta de sensibilidade e cultura ambientais, ou,  simplesmente, da imbecilidade dos responsáveis. Em qualquer caso, serão sempre razões demasiadamente tristes para que não reajamos com grande veemência. O “novo” aeroporto de Lisboa é um mistério (mais um!) que seria interessante, nestes...

Cascais, qualidade de vida e artilharia

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Um dia destes, há pouco tempo, de passagem pela minha terra natal, ouvi aquilo que me pareceu um ataque de uma brigada de artilharia pesada. Não seria de admirar porque Cascais foi sede de um regimento de artilharia anti-aérea. Mas, algo me pareceu estranho uma vez que o dito regimento foi desactivado há bastantes anos e a artilharia não dispara assim...  Fui ver.  Aproximei-me da “peça” que bombardeava a outrora pacata vila com todo aquele fogo de barragem. O fragor prenunciava batalha sem quartel...  Era afinal um ensaio de som —um sound check como dizem os peritos nestas coisas...— que decorria no palco das Festas de Cascais. O meu pequeno, mas, ainda assim, bastante preciso sonómetro marcava num instante de maior alívio dos ouvidos —enquanto eu preparava o meu equipamento a banda tinha optado por ensaiar o seu momento unplugged ...— 99.2 dB, como a foto mostra.  O assunto não mereceria grande reportagem se o dito ensaio de som estivesse a decorrer num...

Ser dobrado pelos sinos

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O tema do ruído não chega amiúde aos orgãos de comunicação. E quando chega é normalmente através de uma perspectiva desinteressante e mal informada. Os sinos das igrejas são um problema recorrente (1). Os sinos constituem aliás um tema que ultrapassa (2) a questão ambiental —e talvez por isso o transforme num problema recorrente— e envolve disputas de poder com contornos bem mais profundos. Enquanto o problema do ruído se resumir à questão dos “decibéis ” (quando é que raio as pessoas entendem que esta palavra não existe?! Vejam aqui e aqui ...) os prevaricadores estarão sempre defendidos. É o caso relatado neste artigo do Público que foi retomado numa interessante crónica chamada “Música Electrónica” do Miguel Esteves Cardoso no mesmo jornal. Enquanto o cónego Aparício “aguarda uma peritagem” e o presidente da Câmara de Beja “dá conhecimento à Igreja do mal-estar” que os sinos provocam, as vítimas vão dobrando com os nervos esfrangalhados.  (1) Aqui há tempos esc...

Lisboa, ruído a mais, ruído...

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Um artigo recente do Público “Ruído na Baixa pode travar repovoamento” dava conta do atraso na aprovação do plano de pormenor da baixa pombalina pela administração central “por causa das questões relacionadas com o ruído.” O atraso fica a dever-se ao facto de a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo ter emitido um primeiro parecer sobre o plano da autarquia onde a questão do ruído é objecto de reparos. No quadro actual, a construção de novas habitações e escolas está posta em causa estando pois, assim também, em causa o desejado repovoamento do centro da cidade. As várias medidas de condicionamento do trânsito (apontado como a fonte principal de ruído da cidade) não parecem suficientes e há zonas da Baixa onde “foram detectados níveis de ruído susceptíveis de causar danos na saúde e fortes perturbações do sono.” Que Lisboa é uma cidade barulhenta é um facto inequívoco, susceptível de ser comprovado por qualquer um. Mas, que  “repovoame...

Portugal de outra era (2)

Poucos dias depois de ter escrito o anterior post sobre a atenção dada ao problema do ruído pelos responsáveis, eis que surge um caso reportado nos jornais, como que a dizer-me "Afinal nem tudo está tão mau como parece!" O Supremo Tribunal de Justiça (STJ) condenou a vizinha barulhenta de um casal, que vivia com os dois filhos num apartamento em Lisboa, a 25 000 euros de indemnização por violação do direito ao descanso. O processo arrastava-se desde 2002 e a decisão é considerada "pouco comum." O caso tem todos os ingredientes típicos destas situações de conflito entre vizinhos por causa do ruído. Um morador de um prédio produz ruído que impede a vida normal dos outros vizinhos, estes queixam-se, as queixas motivam retaliações por parte do prevaricador, as acções, avaliações e reclamações sucedem-se, nada se resolve, e a vida torna-se num autêntico inferno. Normalmente, nestes casos as vítimas recorrem aos organismos que lidam directamente com esta matéria: c...

Portugal de outra era (1)

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A vereadora Helena Roseta da CML criticou anteontem o facto de não haver um plano para combater o ruído na cidade. A crítica saúda-se e a preocupação pelo problema assinala-se. Afinal ninguém liga nenhuma a este assunto. E, contudo, o problema do ruído continua a ser apontado como a disfunção ambiental número um (não só em Lisboa!). Helena Roseta revelou numa conferência de imprensa, onde apresentava os resultados de um estudo feito sobre o "repovoamento" da cidade com novos habitantes, que “há quem desista de morar na cidade por causa do excesso de barulho.” Roseta critica o vereador do pelouro porque anda a “apresentar o mapa do ruído da cidade há dois meses, mas não tem plano de acção.” Repito: o alerta saúda-se e a preocupação assinala-se, mas tudo isto é escasso. Quando, um dia, algum responsável político (seja a que nível for, local, regional ou central) for capaz de se debruçar sobre o problema do ruído, demonstrar sensibilidade e compreensão pelo que está em ...

Ruído em saldo

A propósito de ruído, ficámos a saber que o governo se prepara para diminuir o valor das coimas aplicadas a casos de infracção das normas ambientais. Exageradas ou mal calculadas, são algumas das justificações dadas para alterar o regime de coimas em vigor. O responsável governamental por esta área apressa-se a esclarecer que a “moratória” não tem nada a ver com o presente clima de crise financeira e económica. Que mensagem estará então o Estado a passar às populações? Que corromper o ambiente (finalmente) compensa...? Que atentar contra o ambiente era difícil, mas agora é mais “simplex”? No que respeita aos delicados mecanismos do ambiente sonoro já sabe: se tiver obras para fazer das 20 às 8 horas da manhã tem aqui a sua oportunidade de desgraçar, em definitivo e com desagravamento de custos, a vida dos seus vizinhos. Moer-lhes o juízo está agora em saldo. É aproveitar!

Por quem os sinos dobram

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Há mais de 20 anos trabalhei no departamento de ruído da então Secretaria de Estado do Ambiente (S.E.A.). Uma das áreas que mais preocupações nos dava era a das reclamações. Não se tratava de nenhuma brincadeira: o ruído era a causa principal de reclamação dentro da SEA. As consequências desta disfunção ambiental podem ser extremamente sérias. Desde problemas gravíssimos de saúde até casos de tentativa de homicídio (consumado, num caso ocorrido na Amadora), passando por desavenças entre vizinhos (por vezes até entre familiares!) que acabavam em tribunal, houve de tudo um pouco. Em dado momento começámos a receber um número crescente de reclamações relativas ao que foi classificado como "sinos electrónicos". O "sino electrónico" (descobri-o no terreno...) era um vulgaríssimo relógio de pêndulo, com um pequeno badalo, daqueles que se penduram na sala ou no corredor, que uns quantos espertalhões equipavam com um microfone barato, ligado a um amplificador, por su...

Serviço público

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Por feliz coincidência, os membros da equipa que montava a aparelhagem e o palco para um espetáculo que ontem decorreu aqui em Benavente, no âmbito das festas locais de verão, dispunham de uma unidade de rastreio auditivo gratuito, mesmo junto ao seu “local de trabalho.” Não sei se  algum deles teve a coragem de ir verificar o estado dos seus ouvidos. Pelo que ouvi quando passei pelo local, cheira-me que não iriam ter boas novidades... À semelhança do que se passa um pouco por todo o país nesta altura do ano, as festas desta pacata localidade transformam Benavente num completo pandemónio sonoro.  Por escape ou para dar um sinal de “força”, este tipo de festas constitui uma verdadeira imundície sonora que deixa marcas indeléveis em quem nelas participa, por prazer, em trabalho, ou em quem, simplesmente, foi apanhado no cortejo. Uma sugestão para o ano: aproveitem este tipo de unidades móveis de rastreio auditivo e promovam, por uma vez e a título experimental, a rea...

O ruído é do povo?

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Há cerca de vinte anos estive  profundamente envolvido na elaboração e implementação do Regulamento Geral sobre o Ruído. Todos nós, os que nos interessamos e lutamos por um ambiente mais equilibrado e, em particular, trabalhamos na área específica da comunicação e da ecologia acústica, nos congratulámos com o surgimento deste Regulamento. Significava um passo importante —susceptível de correções certamente— no sentido de criar uma comunidade mais civilizada em Portugal. Penso que o respeito pelo direito a um ambiente sonoro equilibrado é a bitola para medir o grau de civilidade de uma sociedade.  Na altura, o RGR foi alvo de uma série de críticas que, raramente, tinham algum fundamento ou legitimidade. Lembro-me. em particular, da reacção de um pateta, que mais tarde foi ministro da República Portuguesa, um dos políticos que mais “ruído” —aqui no sentido mais básico do termo, i.e., som sem conteúdo informativo, som incomodativo— consegue gerar. Escrevia a criatura no jorn...

Música e ruído

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É frequente hoje ver e ouvir as expressões música e ruído serem usadas de forma intermutável. Com John Cage aprendemos a incorporar os sons do quotidiano na música e com R. Murray Schafer o quotidiano dos sons passou a ser encarado como uma composição musical, na concepção da qual todos temos reponsabilidade. Ruído passou, pois, a poder significar também... música! Uma outra coisa, porém, é equiparar a música a ruído. O meu amigo José Carlos Faria chamava-me a atenção há dias para o facto de um dos personagens de uma nova peça em que ambos estamos a trabalhar (o cenário desta peça e a gravura inclusa que o representa são de sua autoria; ver mais informação aqui) perguntar, a propósito de uma fragmento musical que se ouvia, "Que ruído é este?". No caso, como notava aquele meu amigo, a música até era minha... Num jornal televisivo, mostrava-se uma reportagem sobre o "Rock in Rio". Uma acção de promoção levou o grupo Tocá Rufar para a rua. Centenas de percussionistas...