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A mostrar mensagens com a etiqueta Fernando Mora Ramos

I mix, I scratch, I sample...

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Depois de O Fim das Possibildades, o Teatro da Rainha volta a Jean-Pierre Sarrazac com a Morte de um DJ . Já quase perdi a conta, mas creio que este será o meu 28ª trabalho com esta companhia, a que se devem juntar mais cerca de uma dúzia de outros trabalhos que envolveram o TR integrado noutras estruturas ou coproduções. A encenação desta nova produção do TR, cujos ensaios começaram agora, é da responsabilidade de Fernando Mora Ramos, que assina também a tradução. Faço parte de uma equipa de amigos, um cadinho de ternuras e cumplicidades, muito talento, dedicação e profissionalismo, que integra os actores Alexandre Calçada , Fábio Costa e Maria Quintelas, José Carlos Faria, responsável pelo cenário e António Plácido que concebe a luz. Um texto intrigante e actual, sobre a Europa, depois de acordar, sem maquilhagem, após a queda do Muro, a precariedade, a dessolidariedade , o abandono, a barbárie. Uma música a condizer. Post-barroca. Electrónica. Okupa ! Mais notícias à medid...

Falemos de nós (novamente)

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Cerca de trinta anos e 40 peças depois volto a um tempo e a um lugar onde fui artisticamente feliz. Tive de novo um daqueles problemas para resolver em que a solução surge como que por magia, ditada por uma força qualquer criativa que não controlo. Um daqueles momentos raros em que, como dizia Pat Metheny numa sua entrevista, somos levados a pensar que, entre tantas dificuldades, sacrifícios, carências, tensões e pesadelos, não estamos loucos e foi para isto que escolhemos fazer o que fazemos. Desta feita sei, contudo, qual é a causa desta "inspiração": o texto de Fernando Mora Ramos chamado " E no princípio era a besta ". Atingiu-me e sobressaltou-me desde o primeiro parágrafo. O Fernando é, entre outras coisas, um dramaturgo de elite. Estará a cometer um pecado capital, de consequências trágicas, quem desconhecer a sua escrita dramática. Será autor de um crime sujeito a pena capital quem apenas andar atento ao dramaturgo de serviço ou à escrita da...

Falar de nós

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A minha colaboração com o Teatro da Rainha soma, neste momento, 25 peças. Ao longo de todos estes trabalhos —na verdade, desde o primeiro de todos eles— o som tem sido uma dimensão desta nossa cooperação a merecer um cuidado e uma preocupação muito especiais. Do Falatório do Ruzante (a primeira para a qual concebi a música e aquilo que mais tarde começaríamos a designar por “cenário acústico”) até este Fernanda, quem falará em nós, os últimos? , o som é uma marca presente, que faz parte intrínseca do rigor e inovação que distinguem a actividade da companhia.   Posso dizer que, no decurso desta já longa colaboração, nos defrontámos com todo o género de desafios, no plano estilístico, formal e, bem entendido, funcional e operacional. O suficiente para termos desenvolvido uma ideia precisa, rica, concreta e muito bem fundamentada e algo rara, do papel do som no teatro, hoje, da sua pragmática e da sua economia.  Neste arco de quase 30 anos, o que fomos produzindo oscilou...

Histórias Sonoras II

Tínhamos acabado a conversa anterior e acabáramos justamente de desligar o telemóvel. Eu tinha parado o carro num estacionamento em frente a uma esquina aqui no centro de Benavente. Qualquer coisa me suscitou a curiosidade na paisagem sonora desta minha nova terra ribatejana. Quando parei para prestar atenção ao que se passava, comecei a distinguir o som de um siringe , desses que os amoladores usam para anunciar a sua presença. Imediatamente localizei a fonte sonora. Mas, para meu espanto, havia outro! Dois amoladores aproximavam-se, provenientes de duas ruas diferentes, sensivelmente à mesma distância da esquina onde me encontrava. O amolador é uma espécie em vias de extinção. Consequentemente, o som do seu instrumento (o tal siringe ) já praticamente se não ouve nos dias que correm. Qual será então a probabilidade de apanhar um dueto simétrico de siringes , numa esquina de Benavente, que parecia escrito por um compositor invisível neste ano de graça de 2008, alguns segundos dep...

Histórias sonoras I

O meu amigo Fernando Mora Ramos telefonou-me a contar que tinha tido uma invulgar experiência sonora e musical. Junto à sua casa decorrem neste momento obras de construção de um enorme complexo hoteleiro. Passada a fase das retro-escavadoras, começaram as obras de cofragem. A "orquestra" mudou. Agora os "naipes" desta nova "orquestra" são constituidos por martelos, brocas pneumáticas, chapas de ferro e, também, vozes. Num determinado momento, um acaso "sincronizou" esta orquestra improvável, produzindo um resultado, imagino eu, para-musical...  Falámos sobre isto e eu recordei o trecho Lion Dance do histórico "Vancouver Soundscape" gravado na Chinatown de Vancouver. Foguetes misturam-se com os tambores produzindo num determinado momento uma sequência que parecia ter sido escrita por um compositor invisível. Jung era invocado pelos autores deste estudo hoje clássico. Coincidências improváveis # 1.