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Um Túnel de Vento cheio de emoções

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Túnel de Vento estreou no Festival Dar a Ouvir, edição de 2019.  Foi uma experiência invulgar, com um desfecho absolutamente extraordinário, que me deu ainda a oportunidade de revisitar velhas amizades e de juntar novas.
Obrigado a todos os participantes.  As palavras que lhes dirigi, no fim, pecaram porque ficaram aquém da gratidão que sinto pela dimensão de excelência que deram a este projecto. Fica o compromisso de tentar repô-lo, o mais rapidamente possível, e de encontrar também outras formas de o manter presente.
Obrigado a Alexandre Madeira. Obrigado aos coralistas do Coro D. Pedro de Cristo, obrigado a Cristina Faria. Obrigado ao Quarteto de Metais da Filarmónica União Taveirense, obrigado a Daniel Tapadinhas. Obrigado a toda a equipa do Convento de São Francisco, obrigado a José Carlos Meneses. Obrigado aos dois pássaros actores Alexandre Cotrim e Catarina Francisco.
Obrigado a todos os que vieram assistir e nos encheram de satisfação com a sua presença, o seu aplauso e a…

Túnel de Vento

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Se há algo que verdadeiramente nos une, a nós e à generalidade dos seres vivos na Terra, é o ar.
O ar, esta mistura de gases que preenche todos os espaços do mundo que nos rodeia, alimenta a vida e a faz, literal e metaforicamente, mover.
O ar, o fluído vital que assume diferentes formas e representa diferentes papéis. Pode ser o sopro primordial da vida do bebé, mas também a grande massa que se desloca de um ponto para outro do globo, levando tudo consigo nesse movimento. Pode ser o ar que sustém o voo delicado da ave ou a poderosa forçaa motriz que produz a energia eléctrica que sustenta um cidade inteira.
O ar, que está presente no fôlego dos músicos, no voo dos pássaros, na voz dos cantores, no rodar dos moinhos, no ondular das brisas e no poder das rajadas e dos ciclones.
O Túnel de Vento é um projecto integrado no programa de 2019 do Dar a Ouvir que, ao longo de um percurso pelos diferentes espaços do Convento São Francisco (CSF), evoca e celebra as várias configuraç…

Um manifesto sobre o essencial

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Numa análise, talvez simplista – mas quem sabe se a verdade não é, afinal, mais simples do que parece... –, eu dividiria as pessoas entre aquelas que agem, criam cruzamentos entre as suas acções e as dos outros, mantêm um permanente registo dessa dinâmica, juntam novas acções, fazem novos cruzamentos e sabem, a todo o momento, extrair o essencial de todo esse complexo diálogo.
E há as outras. Aquelas que vêem a realidade como bolinhas de sabão. A bolinha forma-se, o olhar fascinado é atraído por ela, o olhar segue-a, a bolinha passa, a bolinha rebenta, venha outra.
Este sábado, a Associação dos Antigos Alunos do Liceu Nacional de Oeiras/Escola Secundária Sebastião e Silva apresentou o segundo volume de "o Liceu". Mais um olhar sobre os anos daquela escola, sobre os seus métodos, os seus alunos, os seus professores. A António Sampaio da Nóvoa, um condiscípulo do LNO, coube fazer a apresentação deste segundo volume. Da sua rica intervenção, a propósito desta nova publicação,…

Acasos felizes que geram ECOS

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Uma experiência extraordinariamente positiva é como posso classificar este ECOS (versão Coimbra), que estreou no passado sábado 23, na emblemática Praça do Comércio. É a úlltima obra que escrevi, uma peça para seis percussionistas e seis pistas electrónicas, que funciona a três níveis.

Os músicos e os altifalantes dispõem-se em volta do público, em dois círculos ou elipses (conforme a natureza do espaço) concêntricos. Existe, em primeiro lugar, uma partitura, escrita da primeira à última nota, a ser executada por cada instrumentista, que dispõe para o efeito de um pequeno conjunto de instrumentos de percussão. Os 6 instrumentistas executam as suas partes de forma articulada com as 6 pistas, que contêm o material sonoro de origem electrónica.

A peça é dedicada a R. Murray Schafer, um dos meus grandes inspiradores de há longas décadas. De certa forma, ela evoca — pelo local onde teve lugar e pela própria ideia fundadora — o projecto que levámos a cabo juntos, há 15 anos, o Coimbra Vibra…

Tocar

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Em música usamos a palavra tocar com significados diversos. Dizemos que tocamos um instrumento ou que tocamos numa orquestra, por exemplo.
Mas tocar, em música, é sobretudo atingir alguém com ela, penetrar com os sons no mais profundo, no mais íntimo da sua alma. Na verdade, nem sabemos muito bem em que parte do eu estamos a atingir alguém quando lhe tocamos com música. Mas sabemos que estamos a atingir um centro vital qualquer.
Tocar em alguém com música não tem figurino, modelo ou hora. Pode acontecer da forma mais inesperada, com os meios mais sofisticados ou da forma mais singela. Acontece a este e a oeste. Podemos estar sozinhos, em frente da fonte da música, a ouvir solitariamente um disco ou acompanhados por milhares, integrados num qualquer ritual colectivo. Tocar por música não envolve qualquer contacto entre as dermes. É uma espécie de sintonia entre uns “chips” invisíveis que a espécie parece possuir.
Eu já fui tocado pela música de outros e já toquei outros com a minha mú…

Os auxiliares

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Se dúvidas houvesse sobre o que se está a passar na Terra hoje, elas ficariam dissipadas com esta historieta que vos vou contar. Foi-me transmitida por uma amiga que fez uma alteração no seu percurso de vida e se dedica agora à agricultura biológica.
A nova via resultou da decisão de recuperar uma quinta de família, há muito utilizada apenas como local de recreio.
Durante o tempo em que esteve inactivo, o solo da quinta secou e a fauna tradicional abandonou o local. Algum tempo depois de reiniciada a actividade agrícola, dos solos voltarem a estar ocupados, da flora tradicional e das novas espécies cultivadas os terem repovoado e da fauna (sobretudo os "auxiliares", as espécies que ajudam a fazer a "manutenção", cujos micro sistemas ecológicos voltaram a estar activos) ter regressado, os fins de tarde, outrora silenciosos em resultado da inactividade agrícola e da aridez assim gerada, passaram a ser verdadeiras sinfonias de sinais sonoros da multidão de espécies q…

Ritual Sonoro - Guimarães, Cidade Verde Europeia

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Quando falamos de território, estamos, sobretudo, a pensar num conjunto de pistas de natureza visual que contribuem para dar substância ao conceito. Elementos que mapeiam a realidade física e nos ajudam a lidar com toda essa complexidade. Pode ser um elemento natural ou feito pelo homem. Uma grande montanha, por exemplo. ou um objecto, um marco, um edifício, uma ponte, que une as duas margens de um rio. Um rio, pode ser, ele próprio, definido como uma linha sinuosa que cava uma garganta profunda num acidente orológico. Pode ser o perfil linear de uma árvore ou a mancha, cromaticamente dinâmica de uma floresta. Pode ser a linha recta do horizonte distante que separa os azuis do céu e do mar ou a linha quebrada dos edifícios de uma cidade, interrompida pela curva parabólica de uma ponte.

Outras culturas usam outros elementos, para esse efeito. cheiros ou sons, por exemplo. O efeito subliminar dos cheiros pode ajudar, em certas culturas, o viajante a orientar-se em território desconheci…