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Carta aberta, agora a mais uma data de queridos amigos e família

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Queridos cunhados e amigos, A última entrada neste blog foi dedicada aos que comigo embarcaram neste A Parábola. Juntos iremos continuar, seguramente, esta nossa (como um dia o definiu um outro amigo, infelizmente ausente deste concerto) “maravilhosa aventura da amizade”. Esse artigo foi escrito na continuidade do concerto de Évora de dia 9 de Setembro. Hoje, é meu propósito falar do outro concerto que teve lugar no CCC das Caldas da Rainha, ontem dia 20. Não do concerto em si (o programa foi o mesmo, os que executaram foram os mesmos, os encómios repetem-se, igualzinhos), mas dos queridos amigos e família que se deslocaram para assistir a esta apresentação de A Parábola, alguns vindos de longe.  Não é possível descrever o tumulto de sentimentos que a vossa presença suscitou em mim. Nestas ocasiões, no final, poderemos parecer aos olhos dos outros mais ou menos “normais”, mais ou menos fatigados, mais ou menos satisfeitos com a forma como o concerto decorreu. Nessa altura, a adrena...

Carta aberta a quatro queridos amigos

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  Queridos José Cruz, Jorge Alves, Andrés Pérez e Pedro Rodrigues (*) Escrevo ainda a quente, depois do concerto de ontem no Teatro Garcia de Rezende. Um concerto que integrou, pela primeira vez na minha vida, apenas obras de minha autoria.  Ainda a tremer de comoção depois de ouvir as vossas interpretações das peças que integram este ciclo de A Parábola.  De uma comoção medida, que tem tanto de emotivo quanto racional, que resulta de duas ordens de razões.  Em primeiro lugar, porque o resultado artístico do que foi dado a ouvir ao público foi excepcional. Não uso uma bitola subjectiva para fazer esta afirmação. Digo-o de uma forma muito objectiva: se fosse possível (talvez o venha a ser um dia, quem sabe…) ligar um qualquer interface directamente ao meu cérebro, e depois daí a uma qualquer fonte sonora, sem quaisquer outros intermediários, era certamente isto que surgiria. Sou, portanto, a melhor testemunha de que estamos perante a versão mais fidedigna do que só mo...

Marthiya de Abdel Hamid, notas de programa

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Primeiro, a escrita  Marthiya de Abdel Hamid, segundo Alberto Pimenta, ressoa no meu espírito desde que adquiri o livro, numa edição de 2005. Ao lê-lo, provocou, como alguns outros, muito poucos, textos, uma leitura “sonora” e um desejo imenso de trazer essa minha leitura interna para fora de mim. Algo ressoou, pois, durante a leitura. O figurino que imaginei, desde o princípio, foi sempre este, que agora é exposto, pela primeira vez, publicamente. São três os seus vectores principais: o texto, a voz, o enquadramento sonoro. Por esta ordem. O projecto   O que justifica esta espera de vinte anos? Umas vezes, dificuldades técnicas e equívocos financeiros, que não permitiriam, num determinado momento, que a ideia que tinha na cabeça se pudesse concretizar. Outras vezes, encruzilhadas artísticas, alguns desencontros. Depois de uma exasperante, por vezes irritante, espera, seguramente, desencorajante para muitos, surgiu a possibilidade de meter este projecto em marcha, integrado ne...

Acasos felizes que geram ECOS

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U ma experiência extraordinariamente positiva é como posso classificar este ECOS (versão Coimbra), que estreou no passado sábado 23, na emblemática Praça do Comércio. É a úlltima obra que escrevi, uma peça para seis percussionistas e seis pistas electrónicas, que funciona a três níveis. Os músicos e os altifalantes dispõem-se em volta do público, em dois círculos ou elipses (conforme a natureza do espaço) concêntricos. Existe, em primeiro lugar, uma partitura, escrita da primeira à última nota, a ser executada por cada instrumentista, que dispõe para o efeito de um pequeno conjunto de instrumentos de percussão. Os 6 instrumentistas executam as suas partes de forma articulada com as 6 pistas, que contêm o material sonoro de origem electrónica. A peça é dedicada a R. Murray Schafer, um dos meus grandes inspiradores de há longas décadas. De certa forma, ela evoca — pelo local onde teve lugar e pela própria ideia fundadora — o projecto que levámos a cabo juntos, há 15 anos, o Coimbra V...

Ritual Sonoro - Guimarães, Cidade Verde Europeia

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Q uando falamos de território, estamos, sobretudo, a pensar num conjunto de pistas de natureza visual que contribuem para dar substância ao conceito. São elementos que mapeiam a realidade física e nos ajudam a lidar com toda essa complexidade. Pode ser um elemento natural ou um feito pelo homem. Uma grande montanha, por exemplo ou um objecto, um marco, um edifício, uma ponte, que une as duas margens de um rio. Linhas, figuras geométricas, gradações de luz. Um rio, pode ser, ele próprio, definido como uma linha sinuosa que cava uma garganta profunda no volume de um acidente orológico. Pode ser o perfil linear de uma árvore, os polígonos coloridos dos campos lavrados ou em flor, ou ainda a mancha abstracta e cromaticamente dinâmica de uma floresta. Pode ser a linha recta do horizonte distante que separa os azuis do céu e do mar ou a linha quebrada dos edifícios de uma cidade, interrompida pela curva parabólica de uma ponte.  Outras culturas usam outros elementos, para esse efeito...