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No princípio é o som

Na sua excelente crónica Sinais de hoje, Fernando Alves  traz-nos notícia da abertura das Lojas do Saber , em Coimbra.  Trata-se de uma iniciativa do professor jubillado da UC, João Pedroso de Lima   que “ verificando que o desaproveitamento de tanto conhecimento acumulado, quer por si, quer por outros professores universitários reformados, ‘é uma perda grande para a sociedade’, decidiu lançar as Lojas de Saber. Assim, falou com outros jubilados e mobilizou-os para o lançamento de cursos livres.” A iniciativa, só por si, é credora de todo o destaque que Fernando Alves lhe dá. Mas, eis que se descobre a cereja em cima do bolo: o primeiro curso, que terá lugar já hoje, trata o tema “Os sons da vida”. O som no nosso quotidiano, as percepções, os sinais, as anomalias. Definitivamente o som vibra com grande vigor em Portugal!

O som vibra em Portugal (2)

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Um projecto, uma exposição. O Retrato das Paisagens Acústicas Naturais em Portugal é um projecto em curso do MNHN que pretende “documentar a diversidade biológica na sua componente acústica.” Uma mais que bem-vinda iniciativa e um importante trabalho que cobre um vazio inexplicável do País nesta matéria. Ouça uma reportagem da TSF sobre este projecto aqui . PIU é uma exposição que a equipa do projecto acima descrito organizou sobre este tema. Está aberta ao público até Outubro de 2012. O que é a bioacústica, a diversidade dos sons animais e os seus habitats, os sons das espécies , os seus ciclos e as paisagens acústicas em que estão inseridas são alguns dos temas que a exposição cobre. Ouça aqui   uma reportagem da RR sobre a exposição .

“A senhora depois vê”

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“A senhora depois vê,” diz o operário corticeiro para a repórter. A senhora vai ver e vem-nos contar. Nós não vemos, mas ficamos a ver. Está tudo lá e vemo-lo melhor do que se estivessemos de facto a ver. Intriga-me este ver sem ver através da rádio. As reportagens da TSF, as de Maria Augusta Casaca e outras dos seus companheiros, são uma forma de desvendar o mistério; em suma, de aprender sobre este fenómeno que me continua a fascinar, de forma quase infantil, que é o contar por som. “ O País da Cortiça ” fala-nos deste mundo do sobreiro e da extracção da cortiça, em que Portugal dá cartas. É uma magnífica reportagem de Maria Augusta Casaca, com sonoplastia de Luís Borges. Neste caso, trata-se de uma reportagem que trata um tema que conheço bem porque, em tempos, realizei um pequeno documentário sobre ele, chamado “9 Anos Depois...”.  No caso deste “derby” audio-video devo confessar que fui goleado pelo audio!

Sobre os sinos

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Uma edição da série Encontros com o Património dedicada aos sinos. Chama-se “Os sinos - outros sons, outros tons” e constitui uma espécie de relatório do estado da arte sobre tudo o que diz respeito aos sinos em Portugal. Ouça aqui , é imperdível. Este programa surge, curiosamente, mais ou menos no momento em que Paulo Varela Gomes escreve na sua habitual crónica do Público um Angelus (“Cartas do interior”, 2011/11/26) sobre sinos. Fala num “tempo dos mercadores”, construído “à medida que deixamos de ouvir o som antigo dos sinos, que só aos velhos faz hoje semicerrar os olhos, baixar a fronte e suspender por um instante o vazio do tempo.” “Não há coincidências,” dizia-me um dia uma amiga muito querida. Este texto não poderia ilustrar melhor o programa da TSF. Não pode ser coincidência... NB- A foto que ilustra o post foi retirada de uma reportagem da RTP sobre a Fundição de Braga, uma das mais antigas fábricas portuguesas de sinos.

“Vermelho da cor do céu”

Uma reportagem de Ana Catarina Santos e Luís Borges da TSF para ouvir aqui . Sobre a cegueira total feita através de um medium “cego”. Um achado!

“Os Alfarrabistas”

Poesia nas ondas da rádio... “ Os Alfarrabistas ” de Fernando Alves, com sonoplastia de Mésicles Helin. Na TSF. A série inclui vários programas que pode pesquisar no site da estação.

O pingo

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”Encontros com o Património” é um esplêndido programa da TSF. Aconselho-o a quem porventura o não conheça. Uma das suas edições é dedicada à obra do arquitecto Raul Lino . Dá-se uma volta pela sua Casa do Cipreste em Sintra, de onde a emissão é feita. Fala-se do arquitecto, do grande e infatigável desenhador. Fala-se do desenho e do seu valor como “instrumento para ver”. Mas é o ouvido que aqui percorre os recantos da Casa do Cipreste, é o ouvido que recria as suas formas, que “vê” as cores dos seus azulejos, é o ouvido que vai desenrolando a sua planta. O sino dá o sinal de entrada na Casa.  De súbito, um pingo! Da pequena fonte há “uma água que cai”. “Uma influência árabe” para quebrar o silêncio, diz o sobrinho de Lino, anfitrião da emissão e actual morador. Ou, se calhar, para minorar a solidão, diz o autor do programa.  Em qualquer caso, uma pequena fonte concebida pelo arquitecto para “ter um ruído na casa”.

“O silêncio dos dias”

Uma reportagem de Maria Augusta Casaca e João Félix Pereira publicada na TSF debruça-se sobre o mundo sem som dos deficientes auditivos. A rádio a falar da sua matéria plástica básica: o som. Um projecto da Escola de Santo António de Faro tenta ajudar a ultrapassar a deficência. Comovente. Pode ser ouvido (e deve ser ouvido!) aqui .