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Andamos todos ao mesmo

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TUNA/TNSJ Prefiro pensar assim. Prefiro acreditar que os meus sentimentos, as dúvidas que me apoquentam, os dilemas que me dilaceram, as iniquidades que me enraivecem, são afinal partilhados por todos. Imaginem que cheguei a esta conclusão depois de assistir a um debate sobre uma peça de teatro. Só depois do debate fui assistir à peça. Tudo visto e ouvido, ocorreu-me então a possibilidade: andamos, decididamente, todos ao mesmo. A peça foi “O Fim das Possibilidades” , a coprodução do Teatro da Rainha e do Teatro Nacional de S. João baseada no texto de Jean-Pierre Sarrazac. Em torno da sua apresentação em Lisboa, no TNDMII, foi organizado um pequeno debate em que participou um interessante, heterodoxo e bastante inesperado painel. Na peça está tudo o que sujbjaz a este nosso quotidiano: a vida, a morte, o passado, o presente, o futuro, o acto vital de viver no presente, o desafio arriscado de recordar o passado, o futuro inevitável que nos assombra o presente, a solidariedad...

Turismo Infinito

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De vez em quando temos a oportunidade de ver um daqueles espetáculos que nos agarram, sem um momento de abrandamento, sem quase termos tempo de respirar. Acontece. "Turismo Infinito" é uma produção do Teatro Nacional de S. João, superiormente dirigida por Ricardo Pais, que está manifestamente nesta categoria. Um espetáculo produzido a partir de textos de Fernando Pessoa (num trabalho notável de António M. Feijó) que demonstra, antes de mais, como se pode produzir um objecto teatral de luxo e de grande intensidade e densidade dramatúrgica, tendo sobretudo como matéria prima um enorme rigor e uma grande conjugação de talentos. Rigor e talento, aquilo que, simultaneamente, é necessário e falta a grande parte do teatro que se vai vendo por aí... Um destaque especial —que se justifica pela natureza particular destes meus "Fragmentos"— para o fantástico trabalho de voz dos actores e para design sonoro do Francisco Leal. Precioso!