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Tocar

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E m música, usamos a palavra tocar com significados diversos. Dizemos que tocamos um instrumento ou que tocamos numa orquestra, por exemplo. Mas tocar, em música, é sobretudo atingir alguém com ela, penetrar com os sons no mais profundo, no mais íntimo da sua alma. Na verdade, nem sabemos muito bem que parte do eu estamos a atingir, quando tocamos alguém com a nossa música. Mas sabemos que estamos a atingir um centro qualquer, vital. Verdade seja dita que, no dia que souber como tudo isso acontece, deixo de fazer música... Tocar em alguém com música não tem figurino, modelo ou horário. Pode acontecer da forma mais inesperada, com os meios mais sofisticados ou da forma mais singela. Acontece a este e a oeste. De dia ou de noite. Podemos estar sozinhos, em frente da fonte da música, a ouvir solitariamente um disco, Podemos estar acompanhados por milhares, integrados num qualquer ritual colectivo. Tocar por música não envolve contacto entre as dermes. É uma espécie de sintonia entr...

Ritual Sonoro - Guimarães, Cidade Verde Europeia

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Q uando falamos de território, estamos, sobretudo, a pensar num conjunto de pistas de natureza visual que contribuem para dar substância ao conceito. São elementos que mapeiam a realidade física e nos ajudam a lidar com toda essa complexidade. Pode ser um elemento natural ou um feito pelo homem. Uma grande montanha, por exemplo ou um objecto, um marco, um edifício, uma ponte, que une as duas margens de um rio. Linhas, figuras geométricas, gradações de luz. Um rio, pode ser, ele próprio, definido como uma linha sinuosa que cava uma garganta profunda no volume de um acidente orológico. Pode ser o perfil linear de uma árvore, os polígonos coloridos dos campos lavrados ou em flor, ou ainda a mancha abstracta e cromaticamente dinâmica de uma floresta. Pode ser a linha recta do horizonte distante que separa os azuis do céu e do mar ou a linha quebrada dos edifícios de uma cidade, interrompida pela curva parabólica de uma ponte.  Outras culturas usam outros elementos, para esse efeito...

Um exercício de inteligência e de cidadania

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Desculpem-me vir aqui, de certa forma, falar em causa própria, mas é inevitável.  Refiro-me à exposição   Os Inquéritos [à Fotografia e ao Território] ∙ Paisagem e povoamento , inaugurada no dia 17 de outubro, no Centro Internacional de Artes José de Guimarães e aberta, para a sua visita, até ao dia 31 de janeiro. Há mais, mas, no meu entender, são três os argumentos principais para não perder esta mostra.  Em primeiro lugar, trata-se de celebrar o triunfo da fotografia como elemento mediador entre o espaço real e o imaginário. Apesar de esta exposição incluir muitos outros elementos (algumas verdadeiras preciosidades, raramente ou nunca vistas antes) que ajudam esta mediação  —  mapas, relatórios, fichas, atlas, filmes, sons  —  é na fotografia, neste seu papel de mediador, nas potencialidades e nos limites que carrega para o exercício dessa função, na sua aura e no seu sortilégio, que se situa o coração deste projecto ímpar. ...