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Perdão de Natal

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O Primeiro Ministro actual não é personagem sobre o qual recaem as minhas particulares simpatias. Tenho-o aliás demonstrado com a frequência possível num outro blog para o qual escrevo. Mas, noblesse oblige , não posso deixar de assinalar a referência que fez ao ruído e o destaque que deu a esta questão durante a recente apresentação do Nissan Leaf. Em vez de esquecer esta característica ambientalmente positiva do novo veículo, ou de a deixar escondida no meio das outras (emissões de CO2 e consumo energético), Sócrates colocou o ruído em primeiro lugar (eu ouvi!) por duas vezes no seu discurso. Num período em que, ele próprio de maneira não despicienda, contribui para o enorme ‘ruído’ que por aí vai, chamar a atenção para um problema ambiental grave e mostrar uma solução real para o combater, constitui um acto que requer (neste caso, sim!) alguma coragem.

Mas vamos ter submarinos, caraças!

Um "contexto de contenção orçamental e de redução da despesa pública" foi a justificação arranjada pelo Ministério da Educação para congelar as verbas atribuídas ao ensino da música, no âmbito do chamado ensino artístico . Trata-se de uma manobra feia, feita, como alguém me apontou, assim, pela calada do verão, que apanha toda a gente de surpresa e em contraciclo daquilo que tinha sido a orientação do ME. Nesta onda de disparar em todas as direcções e atacar os mais vulneráveis, os ataques também chegam à pobre da música que fica assim mais pobre ainda... A medida é tomada numa altura que não permite às escolas honrar compromissos assumidos em tempo oportuno, prejudicando essas escolas, os seus professores e alunos. E suspeito que, no caso dos professores, os mais prejudicados serão justamente os jovens licenciados que buscam uma oportunidade de se "inserir no mercado de trabalho", justamente aqueles por quem os responsáveis vertem lágrimas cínicas a toda a hor...

Há vida para além do PEC

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A música não vai salvar o mundo, mas pode ajudar. O projecto da Orquestra Geração é uma iniciativa da Fundação Gulbenkian e da Câmara da Amadora, apoiado na Escola de Música do Conservatório Nacional e na Fundação EDP. Já conta, creio, dois anos. A inspiração vem do conhecido Sistema Nacional de Orquestras Juvenis e Infantis venezuelano, fundado por José António Abreu. É justo dizer que no domínio da aplicação dos princípios da inclusão social e da aprendizagem do trabalho cooperativo através da música, as bandas filarmónicas, em particular -- de uma forma, por vezes, voluntarista e sempre totalmente desapoiada-- e as escolas Menuhin, vêm de há muito dando um contributo decisivo nesta matéria. Mas, estas Orquestras Geração constituem um caso de sucesso, hoje e aqui, que contém lições que ultrapassam em muito o domínio das artes. Se o País quisesse mesmo perceber o que tem de fazer para conseguir ir além do sacrossanto PEC -- que lá ficou naturalmente aquém do que se esperava e do ...

Ruído em saldo

A propósito de ruído, ficámos a saber que o governo se prepara para diminuir o valor das coimas aplicadas a casos de infracção das normas ambientais. Exageradas ou mal calculadas, são algumas das justificações dadas para alterar o regime de coimas em vigor. O responsável governamental por esta área apressa-se a esclarecer que a “moratória” não tem nada a ver com o presente clima de crise financeira e económica. Que mensagem estará então o Estado a passar às populações? Que corromper o ambiente (finalmente) compensa...? Que atentar contra o ambiente era difícil, mas agora é mais “simplex”? No que respeita aos delicados mecanismos do ambiente sonoro já sabe: se tiver obras para fazer das 20 às 8 horas da manhã tem aqui a sua oportunidade de desgraçar, em definitivo e com desagravamento de custos, a vida dos seus vizinhos. Moer-lhes o juízo está agora em saldo. É aproveitar!