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Televisões portuguesas: o horror à música

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Os portugueses serão menos musicais que os outros povos? Gostarão menos de música? Praticarão menos música per capita ? Será a sua estrutura neurológica diferente da dos outros povos, no que respeita às zonas dos seus cérebros que reagem ao fenómeno musical? A música fará menos parte do seu dia a dia? Estarão menos interessados do que os outros pela música que se faz fora do seu país? Estarão, perguntaria mesmo, menos interessados na sua própria música e na dos seus músicos do que os outros povos demonstram estar pela sua própria? Estas e outra perguntas acodem-me à mente quando, de repente, tomo consciência que não vejo um programa de música nas televisões portuguesas há muito, muito tempo. Não me refiro a essa imbecilidade dos programas dos tops . Nem me refiro aos músicos que vão tocando nos pouquíssimos programas que têm uma banda residente. Refiro-me aos concertos, aos programas gravados em estúdio, às séries de música, aos especiais de música, em especial os que envolvem músic...

A rádio e os dias que correm

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Deixe-me ajudá-lo a “descodificar” a foto. Ia eu a caminho do supermercado, esta manhã, aqui na minha terra, e dou com esta cena: à porta de casa, aproveitando a sombra temporária, este senhor vai gozando, com a tranquilidade que a foto pretende documentar, a frescura da manhã. Tem um pequeno rádio pousado em cima da perna (ora repare; a foto foi feita a alguma distância para não perturbar muito a dita cena.)  Quem diz que a rádio morreu devia ter passado por aqui hoje. Para além de outras múltiplas funções, aqui está estoutra, quiçá inusitada, que a rádio cumpria de forma surpreendente, mas exemplar: banda sonora para um ensaio sobre a placidez. Praticamente não se ouvia (se calhar, nem ele...), mas, na altura, a canção que passava era “My favorite things”. Cantada pela Julie Andrews, mas podia estar a ser cantada por outro qualquer, incluindo o próprio senhor da foto.  Não haveria, por certo, outra canção que melhor pudesse ilustrar o sentimento que parecia tra...

O que seria da televisão sem a rádio?

U m excelente blog que frequento regularmente, "A Rádio em Portugal", faz hoje aqui uma pergunta que merece reflexão: o que seria da TV sem Rádio? Indo para além da questão substantiva que este post pretende abordar, a resposta a uma pergunta deste tipo tem vários níveis, ou, se quiserem, há várias respostas possíveis. Não cabe aqui fazer teoria sobre o assunto, mas parece de facto legítimo dizer que apesar do domínio avassalador dos meios de informação baseados na imagem, a operacionalidade do som faz com que a rádio seja um elemento privilegiado e insubstituível no processo de comunicação. Não só a audição é mais ágil e mais autónoma que a visão, como todo o processo de produção audio acaba por ser igualmente mais enxuto e universal. Por outras palavras, é mais fácil captar, montar e transmitir o sinal acústico que o sinal visual. De qualquer forma, a componente acústica dos meios de comunicação audio-visuais continua a ser determinante ara desespero, decerto, dos visio...