O que seria da televisão sem a rádio?

Um excelente blog que frequento regularmente, "A Rádio em Portugal", faz hoje aqui uma pergunta que merece reflexão: o que seria da TV sem Rádio? Indo para além da questão substantiva que este post pretende abordar, a resposta a uma pergunta deste tipo tem vários níveis, ou, se quiserem, há várias respostas possíveis. Não cabe aqui fazer teoria sobre o assunto, mas parece de facto legítimo dizer que apesar do domínio avassalador dos meios de informação baseados na imagem, a operacionalidade do som faz com que a rádio seja um elemento privilegiado e insubstituível no processo de comunicação. Não só a audição é mais ágil e mais autónoma que a visão, como todo o processo de produção audio acaba por ser igualmente mais enxuto e universal. Por outras palavras, é mais fácil captar, montar e transmitir o sinal acústico que o sinal visual (sendo que a componente acústica dos meios de comunicação audio-visuais continua a ser determinante de qualquer forma.)
Aqui há tempos tentei uma experiência numa entrevista dada para um programa da RTP2 (ver aqui um excerto). A entrevista tinha justamente por tema a importância do som nas nossas vidas e para ilustrar o meu ponto de vista calei-me a dada altura, durante uns segundos breves (devem ter sido os segundos mais caros da tv portuguesa...). Tentei demonstrar que a ausência de som em televisão pode matá-la. O resultado foi um rápido momento de pânico generalizado, como nunca tinha observado num estúdio. Só nos faz falta quando falta, poderia ser a conclusão desta experiência. Nem os próprios profissionais se dão por vezes conta desta verdade.
A rádio infiltra-se pelas avenidas, ruas, becos e corredores da rede de entendimento da realidade que nos rodeia de uma forma que a televisão muito dificilmente é capaz. E a "televisão sonora" é uma redundância sem qualquer utilidade.
Estou sem televisão por cabo vai para sete meses porque mudei, entretanto, de casa e resolvi acabar com esse flagelo. Digo-vos: nunca me senti tão bem. Voltei a ouvir rádio com mais frequência e sinto que ganhei imenso com a "despromoção". Até o relato de futebol (um hábito quase esquecido) se revela uma experiência renovada e fascinante.

Viva a rádio!

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