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A mostrar mensagens de Junho, 2011

Reforma e paradiddles

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Acabo de ver a actuação da Freedom Band de Chick Corea, no “Jazz à Marciac 2010”. A banda inclui Kenny Garrett, Christian McBride e Roy Haynes.  Que dizer desta música e destes músicos...? Tudo isso está de tal maneira para além de quaisquer palavras que me limito a destacar, por razões que esclareço adiante, o baterista Roy Haynes.  Pena este extracto do Youtube, que indico aí em baixo, não conter a dança final que Roy Haynes executa perante os colegas incrédulos e um público em perfeito delírio, mas ficam, pelo menos, com uma ideia da aura absolutamente esplendorosa deste Roy Haynes, a vender energia e a “estragar” a noite aos seus colegas, dois deles bem mais novos.  Ver este homem, com 85 anos na altura em que escrevo, a tocar assim deveria fazer parte de qualquer programa de recuperação da crise económica. Seria, por exemplo, inspirador passar esse seu solo neste concerto nos ecrãs das repartições da Segurança Social. A ideia de reforma —sobretudo, antecipada— parece-me tão ignóbil …

Não ouviu

Um homem de 88 anos morreu no Entroncamento, colhido pelo Alfa. Segundo o Público, pessoas presentes na plataforma terão tentado avisá-lo “para não atravessar naquele momento,” mas o homem não ouviu. Usava um aparelho auditivo.
O velhote tinha acabado de chegar de uma visita à filha e atravessava a linha para apanhar a sua bicicleta.” Não ouviu os avisos emitidos pelos altifalantes da estação, não ouviu as pessoas que o tentaram avisar, não ouviu o comboio aproximar-se. Não ouviu.

Sound design, marketing ou tontice?

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Entro no supermercado e dou de caras com esta preciosidade: uma marca de batatas fritas convida-me — em tom familiar e “tutuando-me” — a “fazer sandes com barulho!” Como durante muitos anos me dediquei a fazer cumprir as regras para prevenir o incómodo do “barulho” tive, confesso, um arrepio. Não me parece ser esta a melhor forma de sensibilizar as pessoas para a enorme importância do som na nossa vida, nem particularmente excitante esta nova técnica de design sonoro. Por outro lado, o truque de marketing vem provar, sem margem para dúvida (para quem tenha dúvidas...), a importância do som. Os promotores de vendas —que actuam em território certamente seguro e testado— não hesitam em explorar este filão. E fazem-no a um nível muito sofisticado, atingindo um ponto nevrálgico. Talvez então o marketing possa ser um aliado. Perverso, mas eficaz... 
Pergunto-me se estes estariam interessados em financiar uma campanha de higiene auditiva, imaginem...? Sobre os malefícios do uso de auscultadores…

“Vermelho da cor do céu”

Uma reportagem de Ana Catarina Santos e Luís Borges da TSF para ouvir aqui. Sobre a cegueira total feita através de um medium “cego”. Um achado!

Perdão de Natal

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O Primeiro Ministro actual não é personagem sobre o qual recaem as minhas particulares simpatias. Tenho-o aliás demonstrado com a frequência possível num outro blog para o qual escrevo. Mas, noblesse oblige, não posso deixar de assinalar a referência que fez ao ruído e o destaque que deu a esta questão durante a recente apresentação do Nissan Leaf.
Em vez de esquecer esta característica ambientalmente positiva do novo veículo, ou de a deixar escondida no meio das outras (emissões de CO2 e consumo energético), Sócrates colocou o ruído em primeiro lugar (eu ouvi!) por duas vezes no seu discurso. Num período em que, ele próprio de maneira não despicienda, contribui para o enorme ‘ruído’ que por aí vai, chamar a atenção para um problema ambiental grave e mostrar uma solução real para o combater, constitui um acto que requer (neste caso, sim!) alguma coragem.

Televisões portuguesas: o horror à música

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Os portugueses serão menos musicais que os outros povos? Gostarão menos de música? Praticarão menos música per capita? Será a sua estrutura neurológica diferente da dos outros povos, no que respeita às zonas dos seus cérebros que reagem ao fenómeno musical? A música fará menos parte do seu dia a dia? Estarão menos interessados do que os outros pela música que se faz fora do seu país? Estarão, perguntaria mesmo, menos interessados na sua própria música e na dos seus músicos do que os outros povos demonstram estar pela sua própria? Estas e outra perguntas acodem-me à mente quando, de repente, tomo consciência que não vejo um programa de música nas televisões portuguesas há muito, muito tempo.
Não me refiro a essa imbecilidade dos programas dos tops. Nem me refiro aos músicos que vão tocando nos pouquíssimos programas que têm uma banda residente. Refiro-me aos concertos, aos programas gravados em estúdio, às séries de música, aos especiais de música, em especial os que envolvem música e…