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Ser dobrado pelos sinos

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O tema do ruído não chega amiúde aos orgãos de comunicação. E quando chega é normalmente através de uma perspectiva desinteressante e mal informada. Os sinos das igrejas são um problema recorrente (1). Os sinos constituem aliás um tema que ultrapassa (2) a questão ambiental —e talvez por isso o transforme num problema recorrente— e envolve disputas de poder com contornos bem mais profundos. Enquanto o problema do ruído se resumir à questão dos “decibéis ” (quando é que raio as pessoas entendem que esta palavra não existe?! Vejam aqui e aqui ...) os prevaricadores estarão sempre defendidos. É o caso relatado neste artigo do Público que foi retomado numa interessante crónica chamada “Música Electrónica” do Miguel Esteves Cardoso no mesmo jornal. Enquanto o cónego Aparício “aguarda uma peritagem” e o presidente da Câmara de Beja “dá conhecimento à Igreja do mal-estar” que os sinos provocam, as vítimas vão dobrando com os nervos esfrangalhados.  (1) Aqui há tempos esc...

A música como ruído

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Cheguei há pouco tempo de Koli (Finlândia) onde fui assisitr à conferência anual do World Forum of Acoustic Ecology. Escrevi algo sobre isso aqui .  O tema da conferência foi “Ideologies and Ethics in the Uses and Abuses of Sound”.  Nem de propósito, Miguel Esteves Cardoso escreve hoje no Público sobre a instalação de sistemas sonoros nas praias, difundindo música (se calhar, sem sequer pagar os respectivos direitos) em altos berros, em locais cuja paisagem sonora costumava ser feita do “som das ondas ou o alarido das crianças”.  Insurge-se com razão. É um tiro na música e o direito ao sossego ao fundo. Miguel Esteves Cardoso sugere ainda algo que deveria, de facto, ser norma: a atribuição da Bandeira Azul passaria  também a contemplar a poluição sonora. Usar sistemas deste tipo em praias que são usofruto de todos é uma atitude abusiva, sem ética, à qual está subjacente uma ideologia totalitária que entende que tudo se pode manipular, atropelar ou controla...

Leviandades

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Ainda há pouco tempo fiz aqui um elogio a um escrito de Miguel Esteves Cardoso, que me pareceu totalmente justo. Trata-se de um jornalista que gosta de arriscar (reconheço-lhe essa virtude), mas que é embrulhado, ele também, tantas  vezes, nesta vertigem de ter de preencher diariamente o seu pequeno canto de página. Ontem espalhou-se.  E por se tratar de uma injustiça cometida sobre uma figura que conheço bem e que é tratada de forma totalmente lamentável, não posso deixar de escrever aqui esta nota. O pretexto da crónica de ontem do Público foi o gosto musical dos candidatos à presidência do PSD. Lá foi de metáfora musical, em metáfora musical até chegar a Gary Burton, dizendo dele que se trata de um talento “mediano que poderia ter sido maior se arriscasse mais.” Saltou-me a tampa quando li isto! O Gary Burton não merece a colagem ao Aguiar Branco, simplesmente para levar uma duvidosa lógica musical até ao fim,  Gary Burton é um músico que acompanho há uns q...