Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta teatro

Uma mulher, num carro, a beber café (das notas de programa e algumas notas adicionais)

Imagem
Foto Carolina Lecoq O espectador entenderá, a seu tempo, no decorrer do espectáculo, a razão deste título.  A inspiração para ele remete para uma série de 2012, concebida pelo comediante Jerry Seinfeld, intitulada Comedians in Cars Drinking Coffee . A série, que totalizou 11 temporadas, para um total de 84 episódios, foi pensada originalmente para plataformas digitais e passou depois do site , onde pôde ser vista originalmente, para a Netflix . Em cada episódio Seinfeld convidava um colega comediante, e, para cada um, escolhia um carro clássico, que melhor se ajustasse à sua personalidade. Seguiam depois num passeio até a um café ou restaurante, onde os dois tomavam café e conversavam. Os episódios poderiam divergir deste formato singelo, com a inclusão de cenas mais ou menos improvisadas. Do formato desta série resultou, na minha opinião, uma das coisas mais bem concebidos a que pude assistir neste género. A qualidade da série resulta da enorme economia de meios, da sua subtil ...

Andamos todos ao mesmo

Imagem
TUNA/TNSJ Prefiro pensar assim. Prefiro acreditar que os meus sentimentos, as dúvidas que me apoquentam, os dilemas que me dilaceram, as iniquidades que me enraivecem, são afinal partilhados por todos. Imaginem que cheguei a esta conclusão depois de assistir a um debate sobre uma peça de teatro. Só depois do debate fui assistir à peça. Tudo visto e ouvido, ocorreu-me então a possibilidade: andamos, decididamente, todos ao mesmo. A peça foi “O Fim das Possibilidades” , a coprodução do Teatro da Rainha e do Teatro Nacional de S. João baseada no texto de Jean-Pierre Sarrazac. Em torno da sua apresentação em Lisboa, no TNDMII, foi organizado um pequeno debate em que participou um interessante, heterodoxo e bastante inesperado painel. Na peça está tudo o que sujbjaz a este nosso quotidiano: a vida, a morte, o passado, o presente, o futuro, o acto vital de viver no presente, o desafio arriscado de recordar o passado, o futuro inevitável que nos assombra o presente, a solidariedad...

Falemos de nós (novamente)

Imagem
Cerca de trinta anos e 40 peças depois volto a um tempo e a um lugar onde fui artisticamente feliz. Tive de novo um daqueles problemas para resolver em que a solução surge como que por magia, ditada por uma força qualquer criativa que não controlo. Um daqueles momentos raros em que, como dizia Pat Metheny numa sua entrevista, somos levados a pensar que, entre tantas dificuldades, sacrifícios, carências, tensões e pesadelos, não estamos loucos e foi para isto que escolhemos fazer o que fazemos. Desta feita sei, contudo, qual é a causa desta "inspiração": o texto de Fernando Mora Ramos chamado " E no princípio era a besta ". Atingiu-me e sobressaltou-me desde o primeiro parágrafo. O Fernando é, entre outras coisas, um dramaturgo de elite. Estará a cometer um pecado capital, de consequências trágicas, quem desconhecer a sua escrita dramática. Será autor de um crime sujeito a pena capital quem apenas andar atento ao dramaturgo de serviço ou à escrita da...