A Marina




As manifestações de apreço que me têm sido transmitidas a propósito desta ópera TMIE, standing on the threshold of the outside world são invariavelmente do tipo "parabéns, muito bom [pausa dramática] e a cantora! Que fantástica, como é que ela conseguiu meter aquela música toda na cabeça, e que força é preciso ter para estar uma hora, assim, sozinha em palco..."
Pois bem, estas apreciações sobre a Marina pecam por um motivo: ficam muito aquém dos elogios que ela merece.
Eu sei porque acompanhei e orientei, no contexto do papel que me cabia, o trabalho dela e, digo-vos, não consigo encontrar palavras que traduzam exactamente o elogio que gostava de lhe fazer e que ela merece.
Eu sei porque passei com ela horas e horas de ensaio, partilhei pausas, fui verificando momento a momento a evolução e os resultados do nosso processo de trabalho. A obra foi nascendo, foi ganhando vida, porque a Marina lhe deu vida!
Sei-o, digo-o categoricamente, como mais ninguém.
Claro que se poderia falar do inexcedível talento, da imensa frescura e luminosidade que irradia a sua presença, da incrível capacidade vocal, da surpreendente versatilidade, da exigência e meticulosidade com que encarou este trabalho, do imenso "profissionalismo", da inteligência, da vivacidade, enfim. Tudo isso seria e é verdade. Mas citar apenas estes factores peca por defeito e levar-me-ia a cometer uma tremenda injustiça. A Marina é muito mais do que isto que referi. É tudo isto, sim, e mais tudo aquilo que faz com que tudo isto, quando comparado com tudo aquilo, não passe de coisa simplesmente normal.
Acreditem, eu sei. E repito-o categoricamente.

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