Os auxiliares


Se dúvidas houvesse sobre o que se está a passar na Terra hoje, elas ficariam dissipadas com esta historieta que vos vou contar. Foi-me transmitida por uma amiga que fez uma alteração no seu percurso de vida e se dedica agora à agricultura biológica.
A nova via resultou da decisão de recuperar uma quinta de família, há muito utilizada apenas como local de recreio.
Durante o tempo em que esteve inactivo, o solo da quinta secou e a fauna tradicional abandonou o local. Algum tempo depois de reiniciada a actividade agrícola, dos solos voltarem a estar ocupados, da flora tradicional e das novas espécies cultivadas os terem repovoado e da fauna (sobretudo os "auxiliares", as espécies que ajudam a fazer a "manutenção", cujos micro sistemas ecológicos voltaram a estar activos) ter regressado, os fins de tarde, outrora silenciosos em resultado da inactividade agrícola e da aridez assim gerada, passaram a ser verdadeiras sinfonias de sinais sonoros da multidão de espécies que voltou, insectos, aves e outros.
A transição do silêncio para a nova paisagem sonora deu-se sem que os proprietários se tivessem dado conta da lenta instalação desse silêncio e da aridez que ele representava. Mas a vida regressada foi logo ouvida.
Notável é a sensiblidade aqui revelada pelo reconhecimento da nova paisagem sonora e das mensagens que ela revela.
Por tudo isto, ajudar a ganhar ou a recuperar esta sensibilidade é uma missão que me continua a parecer vital. Por outro lado, prestar atenção aos sons e aos silêncios da paisagem sonora é hoje mais urgente que nunca. Saber interpretar o que eles querem revelar pode significar a diferença entre a continuação ou o fim da espécie.

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