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Vidas perdidas

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H á quase 60 anos ia passar férias a uma quinta de uns amigos de meus pais. Passei hoje por lá. A foto mostra um caminho, junto dessa quinta, que percorri vezes sem conta durante as minhas brincadeiras. Está praticamente na mesma. A quinta fica a uns 50 quilómetros de Lisboa. A viagem na altura era uma odisseia para a qual nos tínhamos de preparar com tempo e cuidado. Apesar de não haver problemas de tráfego nesse tempo, os escassos 50 quilómetros demoravam uma eternidade a percorrer. Eu enjoava muitas vezes pelo caminho, graças às curvas e contracurvas. Não havia electricidade, na altura, por estas paragens. O dia começava e acabava cedo. A noite cerrada convidava a dormir. Ninguém ficava, obviamente, a ver o filme da meia-noite no cabo. Não havia cabo, não havia sequer rádio a pilhas nessa altura. O "transistor" portátil ainda demorou uns bons anos a fazer a sua aparição. Ninguém ficava, tão pouco, na cama até ao meio-dia. Os nossos ritmos estavam condicionados pela lu...

Sem título

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O homem das castanholas

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Tentei fotografá-lo enquanto conduzia mas não consegui. Para que todos pudessem acreditar nesta história.  Tinha parado num sinal vermelho e pareceu-me ouvir atrás de mim... umas castanholas. Era verão, tinha os vidros bem abertos. O som parecia provir do carro que estava parado atrás do meu. O facto parecia-me tão insólito que pensei tratar-se de uma qualquer alucinação. O sinal abriu, afastámo-nos e eu esqueci o caso, concentrando-me na condução. Recomecei a ouvir, entretanto, as castanholas. O carro referido, reaproximva-se e acabou por me ultrapassar.  Surpresa! Pude então ver e ouvir o condutor que passava ao meu lado: dos altofalantes do carro saía uma música cheia de "salero" enquanto ele, impassível, praticava as suas castanholas e conduzia ao mesmo tempo... Que novo artigo terá de ser incluído no Código da Estrada para combater o uso de castanholas durante a condução...? E a Prevenção Rodoviária? Irá lançar a campanha "Se conduzir... não toque castan...

Vida prática

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Uma conhecida loja de produtos culturais (cujo nome me abstenho de referir aqui a menos que me paguem a publicidade...), cada vez mais dedicada à venda de electrodomésticos, existe uma área na sua secção de livraria encimada pelo sinal que a foto mostra.  Não sei se se trata de uma sugestão subliminar, se é o resultado de uma qualquer filosofia comercial secreta, produto de uma acção fortuita, ou a imprevista iniciativa de um funcionário anónimo.  O resultado não deixa, em todo o caso, de dar vontade de rir. Convenhamos...

Fotógrafo da natureza

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Música e ruído

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É frequente hoje ver e ouvir as expressões música e ruído serem usadas de forma intermutável. Com John Cage aprendemos a incorporar os sons do quotidiano na música e com R. Murray Schafer o quotidiano dos sons passou a ser encarado como uma composição musical, na concepção da qual todos temos reponsabilidade. Ruído passou, pois, a poder significar também... música! Uma outra coisa, porém, é equiparar a música a ruído. O meu amigo José Carlos Faria chamava-me a atenção há dias para o facto de um dos personagens de uma nova peça em que ambos estamos a trabalhar (o cenário desta peça e a gravura inclusa que o representa são de sua autoria; ver mais informação aqui) perguntar, a propósito de uma fragmento musical que se ouvia, "Que ruído é este?". No caso, como notava aquele meu amigo, a música até era minha... Num jornal televisivo, mostrava-se uma reportagem sobre o "Rock in Rio". Uma acção de promoção levou o grupo Tocá Rufar para a rua. Centenas de percussionistas...

O que seria da televisão sem a rádio?

U m excelente blog que frequento regularmente, "A Rádio em Portugal", faz hoje aqui uma pergunta que merece reflexão: o que seria da TV sem Rádio? Indo para além da questão substantiva que este post pretende abordar, a resposta a uma pergunta deste tipo tem vários níveis, ou, se quiserem, há várias respostas possíveis. Não cabe aqui fazer teoria sobre o assunto, mas parece de facto legítimo dizer que apesar do domínio avassalador dos meios de informação baseados na imagem, a operacionalidade do som faz com que a rádio seja um elemento privilegiado e insubstituível no processo de comunicação. Não só a audição é mais ágil e mais autónoma que a visão, como todo o processo de produção audio acaba por ser igualmente mais enxuto e universal. Por outras palavras, é mais fácil captar, montar e transmitir o sinal acústico que o sinal visual. De qualquer forma, a componente acústica dos meios de comunicação audio-visuais continua a ser determinante ara desespero, decerto, dos visio...