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Viver ao vento

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As actividades humanas que se exercem em comunhão com o ambiente que nos rodeia dão-nos uma perspectiva muito rica da realidade. Uma reportagem recente da TSF (inserida na rubrica “Ouvir e verão”) dava conta de um moinho ainda em funcionamento na região do Bombarral.  Os moinho são destas tecnologias que vivem do ambiente e devolvem o que lhe cobraram com uma preciosa mais valia. Os moinhos utilizados para a moagem do grão são máquinas impressionantes, belas e perfeitas na economia e na eficácia do seu funcionamento, admiráveis na forma harmoniosa como servem o seu propósito. Os moleiros são seres que, de forma consciente ou não, reflectem tudo isto e revelam, no meio de todo este complicado fluxo de energias benfazejas, uma serena mas profunda sabedoria.  O som tem um papel crucial no modo de funcionamento dos moinhos. Internamente qualquer peça revela a correcção do seu funcionamento pelo som que emite. O moleiro sabe ouvir e descodificar o som dos mecanismos do seu...

Com o coração

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Ouço na rádio, enquanto conduzo o meu automóvel de volta a casa, o novo Bispo de Bragança-Miranda, José Manuel Garcia Cordeiro. Diz que vem,  sobretudo, escutar . A frase suscita-me maior atenção. “Não com o ouvido,” acrescenta e esclarece, “mas com o coração.” Chego a casa e assisto logo de seguida a um magnífico documentário sobre Alberto Korda, o fotógrafo cubano, o fotógrafo do Che e da Revolução.  A propósito de fotografia e do ensino desta arte, no derradeiro plano deste documentário, enquanto se vê Korda a sair de casa com a sua Canon, ouve-se a sua voz, citando uma frase de Antoine de Sainte-Exupéry do “Principezinho” dizer: “para ver , verdadeiramente, temos de o fazer com o coração.”  Um coração (esse orgão que parece fazer tão bem a síntese audio-visual), duas maneiras de sentir o mundo à nossa volta. Duas maneiras de tocar o divino.

Steve Jobs

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U so produtos da Apple desde 1984. Quando Jobs saiu da Apple "passei" pela NeXT, para depois "voltar" com ele à Apple. Os Macs, iPhones, etc, fazem parte de um contínuo de ferramentas que culmina no iPad (de cujo impacte ainda nos estamos todos a refazer...) e marcaram indelevelmente o meu quotidiano. Fizeram e farão sempre parte significativa desse quotidiano.  A Apple é um fenómeno único, muito mais que um mero fabricante de "computadores" ou de produtos de "consumo". Um fenómeno digno da nossa reflexão, produto do  fenómeno  Steve Jobs. Sempre pensei em Jobs como uma espécie de "membro da família". E sigo-lhe desde há muito o conselho ...

Reforma e paradiddles

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Acabo de ver a actuação da Freedom Band de Chick Corea, no “Jazz à Marciac 2010”. A banda inclui Kenny Garrett, Christian McBride e Roy Haynes.  Que dizer desta música e destes músicos...? Tudo isso está de tal maneira para além de quaisquer palavras que me limito a destacar, por razões que esclareço adiante, o baterista Roy Haynes.  Pena este extracto do Youtube, que indico aí em baixo, não conter a dança final que Roy Haynes executa perante os colegas incrédulos e um público em perfeito delírio, mas ficam, pelo menos, com uma ideia da aura absolutamente esplendorosa deste Roy Haynes, a vender energia e a “estragar” a noite aos seus colegas, dois deles bem mais novos.  Ver este homem, com 85 anos na altura em que escrevo, a tocar assim deveria fazer parte de qualquer programa de recuperação da crise económica. Seria, por exemplo, inspirador passar esse seu solo neste concerto nos ecrãs das repartições da Segurança Social. A ideia de reforma —sobretudo, antecipada—...

Não ouviu

Um homem de 88 anos morreu no Entroncamento, colhido pelo Alfa. Segundo o Público , pessoas presentes na plataforma terão tentado avisá-lo “ para não atravessar naquele momento,” mas o homem não ouviu. Usava um aparelho auditivo. O velhote tinha acabado de chegar de uma visita à filha e atravessava a linha para apanhar a sua bicicleta.” Não ouviu os avisos emitidos pelos altifalantes da estação, não ouviu as pessoas que o tentaram avisar, não ouviu o comboio aproximar-se. Não ouviu.

Sound design, marketing ou tontice?

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Entro no supermercado e dou de caras com esta preciosidade: uma marca de batatas fritas convida-me — em tom familiar e “tutuando-me” — a “fazer sandes com barulho!” Como durante muitos anos me dediquei a fazer cumprir as regras para prevenir o incómodo do “barulho” tive, confesso, um arrepio. Não me parece ser esta a melhor forma de sensibilizar as pessoas para a enorme importância do som na nossa vida, nem particularmente excitante esta nova técnica de design sonoro. Por outro lado, o truque de marketing vem provar, sem margem para dúvida (para quem tenha dúvidas...), a importância do som. Os promotores de vendas —que actuam em território certamente seguro e testado— não hesitam em explorar este filão. E fazem-no a um nível muito sofisticado, atingindo um ponto nevrálgico. Talvez então o marketing possa ser um aliado. Perverso, mas eficaz...  Pergunto-me se estes estariam interessados em financiar uma campanha de higiene auditiva. Imaginem, por exemplo, sobre os malefíci...

“Vermelho da cor do céu”

Uma reportagem de Ana Catarina Santos e Luís Borges da TSF para ouvir aqui . Sobre a cegueira total feita através de um medium “cego”. Um achado!