Mensagens

“O silêncio dos dias”

Uma reportagem de Maria Augusta Casaca e João Félix Pereira publicada na TSF debruça-se sobre o mundo sem som dos deficientes auditivos. A rádio a falar da sua matéria plástica básica: o som. Um projecto da Escola de Santo António de Faro tenta ajudar a ultrapassar a deficência. Comovente. Pode ser ouvido (e deve ser ouvido!) aqui .

O exemplo de Alcoutim

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O presidente da Câmara Municipal de Alcoutim é médico e isso pode, em parte, explicar a razão que levou aquela câmara a decidir criar um inovador Programa de Erradicação da Surdez. A audição é um elemento chave no nosso relacionamento com o mundo que nos rodeia. Muita da nossa “humanidade” virá do facto de termos desenvolvido estratégias  surpreendentemente complexas de sobrevivência, ao longo do nosso processo evolutivo como espécie, assentes no mecanismo da audição. A fala e a música, são traços definidores do nosso processo filogenético, que assentam na evolução do nosso mecanismo auditivo. Há qualquer coisa de bárbaro em condenarmos hoje pela incúria das instituições sociais, ou deixarmo-nos condenar a nós próprios a um processo, muitas vezes, precoce de ensurdecimento, ou deixarmo-nos vencer por uma noção totalmente descabida de que é “natural” ficar surdo. Para mim que sou músico este problema é especialmente agudo.  Uma perda temporária de audição, por exemplo...

Há som no ar

Mão amiga chamou-me a atenção para um site da Antena 2 chamado Somdescape (uma corruptela da palavra soundscape , como explica o seu autor.) Um título que chama a atenção para a paisagem sonora que, se estivermos atentos, traduz fielmente os valores que estão subjacentes aos organismos que a produzem e a ouvem.  O título revela as ambiguidades da audição. Diz-nos que podemos estar a falar de sons dos escapes , o que é mau; ou do som como forma de escapar à ditadura da paisagem sonora pré-formatada que hoje nos é servida por todo o lado, o que é bom. O programa foi (está a ir?) para o ar e eu, mea culpa , nem dei por isso. De qualquer forma, é de saudar que neste país de surdos ainda haja quem teime em ouvir, e quem, ainda por cima, dê à crónica os produtos da sua audição. E quem acolha isso...  A Antena 2, embora se calhar, não se dê disso conta, também faz parte da paisagem sonora e tem enormes responsabilidades nessa matéria. Se tivesse, ela própria, ouvido antes...

Os 25 anos da Miso Music

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A Miso Music comemora este ano o seu 25º aniversário. No âmbito desta comemoração (cf. o programa da comemoração aqui ) houve hoje um concerto no Instituto Franco-Português a que o Miguel e a Paula Azguime deram o nome de “Cadavre Exquis” Electroacústico. O Miguel teve a bondade de me convidar para conceber uma peça para este Cadavre Exquis musical, à maneira surrealista, que foi estreado com sucesso. Foi para mim um enorme prazer, confesso-o, colaborar nesta iniciativa.  A minha foi uma das 50 peças apresentadas, fruto do trabalho de outros tantos compositores, distinguidos desta forma pela sua colaboração com a Miso ao longo destes 25 anos. Ouvindo todos estes trabalhos, observando o rigor e o esforço colocados na produção deste evento, a sua qualidade, a dedicação e o altíssimo grau de profissionalismo de toda a equipa de produção da Miso Music, o espírito empreendedor e o quente acolhimento dispensado a todos, autores e público, olhando para o palmarés invejável desta ...

Leviandades

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Ainda há pouco tempo fiz aqui um elogio a um escrito de Miguel Esteves Cardoso, que me pareceu totalmente justo. Trata-se de um jornalista que gosta de arriscar (reconheço-lhe essa virtude), mas que é embrulhado, ele também, tantas  vezes, nesta vertigem de ter de preencher diariamente o seu pequeno canto de página. Ontem espalhou-se.  E por se tratar de uma injustiça cometida sobre uma figura que conheço bem e que é tratada de forma totalmente lamentável, não posso deixar de escrever aqui esta nota. O pretexto da crónica de ontem do Público foi o gosto musical dos candidatos à presidência do PSD. Lá foi de metáfora musical, em metáfora musical até chegar a Gary Burton, dizendo dele que se trata de um talento “mediano que poderia ter sido maior se arriscasse mais.” Saltou-me a tampa quando li isto! O Gary Burton não merece a colagem ao Aguiar Branco, simplesmente para levar uma duvidosa lógica musical até ao fim,  Gary Burton é um músico que acompanho há uns q...

Há vida para além do PEC

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A música não vai salvar o mundo, mas pode ajudar. O projecto da Orquestra Geração é uma iniciativa da Fundação Gulbenkian e da Câmara da Amadora, apoiado na Escola de Música do Conservatório Nacional e na Fundação EDP. Já conta, creio, dois anos. A inspiração vem do conhecido Sistema Nacional de Orquestras Juvenis e Infantis venezuelano, fundado por José António Abreu. É justo dizer que no domínio da aplicação dos princípios da inclusão social e da aprendizagem do trabalho cooperativo através da música, as bandas filarmónicas, em particular -- de uma forma, por vezes, voluntarista e sempre totalmente desapoiada-- e as escolas Menuhin, vêm de há muito dando um contributo decisivo nesta matéria. Mas, estas Orquestras Geração constituem um caso de sucesso, hoje e aqui, que contém lições que ultrapassam em muito o domínio das artes. Se o País quisesse mesmo perceber o que tem de fazer para conseguir ir além do sacrossanto PEC -- que lá ficou naturalmente aquém do que se esperava e do ...

Lisboa, ruído a mais, ruído...

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Um artigo recente do Público “Ruído na Baixa pode travar repovoamento” dava conta do atraso na aprovação do plano de pormenor da baixa pombalina pela administração central “por causa das questões relacionadas com o ruído.” O atraso fica a dever-se ao facto de a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo ter emitido um primeiro parecer sobre o plano da autarquia onde a questão do ruído é objecto de reparos. No quadro actual, a construção de novas habitações e escolas está posta em causa estando pois, assim também, em causa o desejado repovoamento do centro da cidade. As várias medidas de condicionamento do trânsito (apontado como a fonte principal de ruído da cidade) não parecem suficientes e há zonas da Baixa onde “foram detectados níveis de ruído susceptíveis de causar danos na saúde e fortes perturbações do sono.” Que Lisboa é uma cidade barulhenta é um facto inequívoco, susceptível de ser comprovado por qualquer um. Mas, que  “repovoame...